Senegal - Grupo I
🇸🇳🦁 Senegal, os Leões que não piscam
Uma campanha de eliminatórias sem derrotas, defesa de ferro e um grupo mundialista que pede frieza desde o primeiro minuto.
Introdução
Há seleções que se anunciam com barulho; outras, com o som seco de uma porta se fechando. O Senegal se parece mais com a segunda. Quando o jogo aperta, quando o adversário tenta empurrar o roteiro para o terreno do caos, os Leões da Teranga respondem com uma calma competitiva que não é pose: é hábito. Em campo, isso vira sequência, controle emocional e uma sensação incômoda para quem enfrenta — a de que o tempo está correndo contra.
A história desta caminhada tem uma imagem recorrente: Diamniadio como quartel-general e o placar como recado. O Senegal começou as eliminatórias com um 4:0 sobre o Sudão do Sul em 18 de novembro de 2023, abrindo a campanha com um golpe de autoridade logo aos 6 minutos e encerrando-a com a assinatura de um time que sabe o que quer quando o oponente ainda está procurando o próprio eixo. E, como quem não faz teatro, repetiu a mensagem mais adiante: 4:0 sobre a Mauritânia em 14 de outubro de 2025, outra noite em que o placar ficou grande sem que o jogo precisasse virar descontrole.
Depois, veio o outro lado do mesmo time: o Senegal que sabe sofrer sem se desfigurar. O 0:0 em Lomé contra o Togo em 21 de novembro de 2023 e o 0:0 contra o Sudão em 22 de março de 2025 não são acidentes de estrada; são parte do desenho. Em partidas em que o gol não apareceu, a equipe não perdeu a linha, não entregou transição barata, não se desesperou. E, numa eliminatória longa, isso é ouro: pontuar nos dias em que o futebol não flui.
Quando precisou transformar jogo duro em vitória, o Senegal mostrou dentes. Em 9 de junho de 2024, em Nouakchott, bateu a Mauritânia por 1:0 com H. Diallo aos 27 minutos, num típico “partido de um gol” em que a margem é mínima, mas a maturidade tem que ser máxima. E houve, também, um momento-bisagra que vale como retrato da campanha: em 9 de setembro de 2025, em Kinshasa, o Senegal ganhou da República Democrática do Congo por 3:2 num duelo com cheiro de final antecipada. Saiu atrás do placar, reagiu, sustentou a vantagem e, no fim, levou os três pontos num ambiente e num contexto que costumam testar caráter.
Os números aterrissam a narrativa com precisão: o Senegal terminou no 1º lugar do Grupo B, com 24 pontos em 10 jogos, invicto, com 7 vitórias e 3 empates. Fez 22 gols, sofreu apenas 3, para um saldo de +19. A fotografia é ainda mais contundente quando se olha o detalhe: três gols sofridos em dez partidas e uma quantidade grande de jogos com margem confortável. Não é só ganhar; é ganhar sem deixar dúvida.
E, quando o calendário vira a página para o Mundial, o palco muda, mas a pergunta é a mesma: esse Senegal sabe ser Senegal quando o adversário também é elite? O Grupo I promete respostas rápidas. Há França, há Noruega e há um rival por definirse que chega via repescagem internacional. Três jogos, três climas, e um ponto em comum: nenhum permite entrar “para ver o que acontece”. O Senegal não parece equipe feita para isso. Ele entra para decidir.
O caminho pelas Eliminatórias
A campanha do Senegal nas eliminatórias africanas foi construída com um princípio simples, quase teimoso: não oferecer o primeiro presente. Isso aparece no placar e aparece, principalmente, na baixa concessão defensiva. Em dez jornadas do Grupo B, o time não perdeu nenhuma vez. E, num grupo com um perseguidor forte como a República Democrática do Congo, invencibilidade não é luxo; é método para atravessar os momentos em que o jogo não sorri.
A leitura da tabela do Grupo B dá o mapa do domínio. O Senegal fechou com 24 pontos, dois acima da República Democrática do Congo, que somou 22. A distância não é enorme — e isso importa, porque impede qualquer leitura acomodada —, mas o detalhe conta: enquanto o perseguidor perdeu duas vezes, o Senegal não caiu. A regularidade foi o “seguro” do líder. Mais abaixo, o Sudão terminou com 13, bem distante da zona de briga direta, e o restante do grupo ficou numa faixa em que empates e dificuldades ofensivas pesaram: Togo com 8, Mauritânia com 7 e Sudão do Sul com 5.
Em termos de produção, o Senegal foi a melhor equipe do grupo em gols marcados (22) e disparado a melhor em gols sofridos (3). O perseguidor direto, a República Democrática do Congo, fez 15 e sofreu 6 — números bons, mas sem o mesmo grau de sufocamento defensivo. Aqui mora um ponto-chave: o Senegal não precisou viver de “jogo a jogo” emocional. Ele criou uma campanha com piso alto, com poucas oscilações e com noites em que o resultado vinha cedo, reduzindo risco e desgaste.
Os momentos-bisagra aparecem com clareza quando se organiza o roteiro por trechos. O início foi avassalador e simbólico: 4:0 sobre o Sudão do Sul (18 de novembro de 2023), seguido de um 0:0 em Lomé (21 de novembro de 2023) que, em vez de esfriar a campanha, serviu como recado de maturidade. O time mostrou que podia ganhar com folga e também sobreviver sem gols. Essa dupla face costuma separar os candidatos reais dos candidatos de euforia.
O trecho do meio trouxe o primeiro alerta emocional: o 1:1 contra a República Democrática do Congo em 6 de junho de 2024. O Senegal abriu o placar com I. Sarr aos 45+1’, mas cedeu o empate aos 85’. Numa eliminatória, tomar um gol tão tarde pode virar trauma ou virar aprendizagem. A resposta veio rápida: três dias depois, fora de casa, 1:0 sobre a Mauritânia, vitória de quem não rumina.
O fechamento da campanha é a parte mais barulhenta — e, ao mesmo tempo, a mais reveladora do padrão. Em setembro e outubro de 2025, o Senegal encaixou uma sequência de quatro vitórias: 2:0 sobre o Sudão (5 de setembro), 3:2 fora contra a República Democrática do Congo (9 de setembro), 5:0 fora contra o Sudão do Sul (10 de outubro) e 4:0 sobre a Mauritânia (14 de outubro). É uma reta final de time que, mesmo com a classificação no horizonte, não relaxa. Há goleadas, há jogo grande vencido fora, e há um acumulado de gols que não parece aleatório: é consistência ofensiva.
Abaixo, a tabela com todos os jogos do Senegal, para que o caminho seja lido sem cortes — com datas, jornada, adversário, condição, placar, autores e sede.
Tabela 1 — Partidas do Senegal nas eliminatórias CAF
| Data | Grupo | Jornada | Rival | Condição | Resultado | Artilheiros | Sede |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 18 de novembro de 2023 | B | 1 | Sudão do Sul | Casa | 4:0 | Matar Sarr (1'), Mané (6', 56' pen.), Camara (45') | Estádio Abdoulaye Wade, Diamniadio |
| 21 de novembro de 2023 | B | 2 | Togo | Fora | 0:0 | Sem gols | Estádio de Kégué, Lomé |
| 6 de junho de 2024 | B | 3 | República Democrática do Congo | Casa | 1:1 | I. Sarr (45+1'); Mayele (85') | Estádio Abdoulaye Wade, Diamniadio |
| 9 de junho de 2024 | B | 4 | Mauritania | Fora | 0:1 | H. Diallo (27') | Estádio Cheikha Ould Boïdiya, Nuakchot |
| 22 de março de 2025 | B | 5 | Sudão | Fora | 0:0 | Sem gols | Estádio Mártires de Benina, Bengasi (Libia) |
| 25 de março de 2025 | B | 6 | Togo | Casa | 2:0 | Matar Sarr (35'), Boma (67' a.g.) | Estádio Abdoulaye Wade, Diamniadio |
| 5 de setembro de 2025 | B | 7 | Sudão | Casa | 2:0 | Koulibaly (14'), Matar Sarr (41') | Estádio Abdoulaye Wade, Diamniadio |
| 9 de setembro de 2025 | B | 8 | República Democrática do Congo | Fora | 2:3 | Bakambu (26'), Wissa (33'); Gueye (39'), N. Jackson (53'), Matar Sarr (87') | Estádio de los Mártires, Kinsasa |
| 10 de outubro de 2025 | B | 9 | Sudão do Sul | Fora | 0:5 | I. Sarr (29', 54'), Mané (46'), Jackson (60' pen.), C. Ndiaye (75') | Estádio de Yuba, Yuba |
| 14 de outubro de 2025 | B | 10 | Mauritania | Casa | 4:0 | Mané (45+1', 48'), I. Ndiaye (64'), H. Diallo (85') | Estádio Abdoulaye Wade, Diamniadio |
Olhando a campanha por números que “contam história”: foram 10 jogos, 7 vitórias, 3 empates, 0 derrotas. O Senegal marcou em 8 das 10 partidas e passou 7 jogos sem sofrer gol. E, quando sofreu, foi pouco: um 1:1 em casa e um 2:3 fora num jogo de alta exigência. A defesa não foi só sólida; foi seletiva: escolheu muito bem o que permitir.
A tabela completa do grupo confirma o desenho competitivo e ajuda a entender o tamanho do feito. Não basta olhar o líder; é preciso ver o perseguidor e o resto do pelotão, porque as eliminatórias são, muitas vezes, vencidas na capacidade de transformar jogos chatos em pontos.
Tabela 2 — Classificação completa do Grupo B
| Pos. | Equipe | Pts. | PJ | G | E | P | GF | GC | Dif. |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Senegal | 24 | 10 | 7 | 3 | 0 | 22 | 3 | +19 |
| 2 | República Democrática do Congo | 22 | 10 | 7 | 1 | 2 | 15 | 6 | +9 |
| 3 | Sudão | 13 | 10 | 3 | 4 | 3 | 8 | 6 | +2 |
| 4 | Togo | 8 | 10 | 1 | 5 | 4 | 5 | 10 | −5 |
| 5 | Mauritania | 7 | 10 | 1 | 4 | 5 | 4 | 13 | −9 |
| 6 | Sudão do Sul | 5 | 10 | 0 | 5 | 5 | 3 | 19 | −16 |
Há um contraste que define o Senegal: a equipe foi eficiente sem ser refém de um único tipo de partida. Teve jogos de placar mínimo (1:0 na Mauritânia), teve jogos de paciência (0:0 no Togo e no Sudão), teve jogos de imposição com múltiplos gols (4:0, 5:0, 4:0), e teve jogo de sobrevivência com vitória em ambiente hostil (3:2 na República Democrática do Congo). Quando um time consegue variar o “como” sem variar o “resultado”, normalmente está pronto para um torneio grande.
Outro recorte importante: casa e fora. Em casa, o Senegal somou vitórias robustas (4:0, 2:0, 2:0, 4:0) e um empate com gosto de alerta (1:1 contra a República Democrática do Congo, gol sofrido aos 85’). Fora, foi ainda mais “adulto”: 0:0, 1:0, 0:0, 3:2 e 5:0. A campanha visitante não teve derrotas e trouxe, além dos pontos, um tipo de confiança que costuma ser decisiva no Mundial: a certeza de que o time não se perde quando o estádio puxa contra.
Como joga
O Senegal que se revela nesses resultados é uma equipe que busca controlar o jogo pelo que não concede. O dado é direto e pesado: 3 gols sofridos em 10 partidas. Isso muda o comportamento coletivo, porque reduz o pânico do “precisamos marcar já”. Com uma base defensiva tão estável, o time pode construir vantagens sem se atirar no abismo — e, quando faz 1:0, o placar vira uma alavanca psicológica.
Também é um Senegal de pragmatismo agressivo: quando sente o adversário frágil, transforma em goleada. Foram quatro vitórias por 4 gols ou mais: 4:0 (Sudão do Sul), 5:0 (Sudão do Sul), 4:0 (Mauritânia) e, de certa forma, o 4:0 inicial que já marcou a campanha. Isso sugere um time que acelera quando encontra espaço e que tem capacidade de manter concentração mesmo com o jogo “resolvido”, porque ampliar placares exige continuidade de execução.
Ao mesmo tempo, os empates sem gols mostram uma equipe confortável em partidas travadas. Dois 0:0 fora de casa (Togo e Sudão) indicam que o Senegal não se sabota quando o gol não sai cedo. Em eliminatórias, isso costuma estar ligado a três coisas que aparecem nos placares: gestão de risco, paciência para não se expor e um padrão defensivo que não se dissolve com o relógio. Não dá para afirmar desenho tático específico sem outros dados, mas dá para afirmar o comportamento: o time não se abre por ansiedade.
A eficácia ofensiva tem um rosto coletivo, mesmo com nomes que aparecem mais. Matar Sarr marcou em momentos-chave: fez gol aos 1’ no 4:0 inicial, voltou a aparecer contra o Togo (gol aos 35’ no 2:0), fez gol contra o Sudão (aos 41’ no 2:0) e fechou a vitória grande em Kinshasa (aos 87’ no 3:2). Isso é sinal de jogador que decide em diferentes contextos: abrir, consolidar, matar o jogo. Sadio Mané também foi decisivo em partidas de amplitude (dois gols no 4:0 inicial, dois no 4:0 final, mais um no 5:0 fora). E há a presença de outros marcadores — I. Sarr, N. Jackson, H. Diallo, C. Ndiaye, Camara, Koulibaly — que aponta para uma produção menos dependente de um único nome.
O Senegal, porém, também deixa pistas de onde pode doer. A principal vulnerabilidade numérica não é “defesa frágil”, porque os dados dizem o oposto; é a possibilidade de jogos em que o controle não vira vantagem suficiente. O 1:1 contra a República Democrática do Congo, com gol sofrido aos 85’, é o tipo de partida em que um detalhe desorganiza a conta. E o 3:2 fora, embora seja triunfo grande, também mostra que há cenários em que o jogo fica aberto e o Senegal precisa ganhar no braço, não no controle. Em Mundial, um jogo que escapa do roteiro pode custar caro se virar hábito.
Outro ponto: o Senegal parece confortável em placares curtos, mas isso exige precisão. Se o time entra num ciclo de empates sem gols, a margem de classificação num grupo equilibrado pode apertar. O lado bom é que a campanha mostra capacidade de alternar: depois de empatar, o Senegal voltou a vencer; depois de sofrer empate tardio, reagiu com vitória fora. Não há sinal de “ressaca” emocional. Há, sim, um padrão de resposta.
Em resumo de identidade, a partir dos resultados: Senegal é equipe de base defensiva muito confiável, com potencial de aceleração ofensiva em noites inspiradas, e com um pragmatismo que evita catástrofe fora de casa. A chave, contra rivais de elite, será transformar o controle defensivo em pontos — porque, em Copas, raramente se ganha só “não sofrendo”. É preciso escolher bem os momentos de ferir.
O grupo no Mundial
O Grupo I do Mundial coloca o Senegal diante de três desafios com texturas diferentes. O primeiro é um teste de impacto: França vs Senegal em 16 de junho de 2026, no MetLife Stadium, em Nova York / Nova Jersey. Depois, um segundo jogo que tende a ser de muita gestão: Noruega vs Senegal em 22 de junho de 2026, novamente no MetLife. E, por fim, a partida em que o Senegal fecha a fase: Senegal vs Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave B: Bolivia, Surinam o Irak, em 26 de junho de 2026, no BMO Field, em Toronto.
Há um detalhe de logística esportiva que pesa no micro: os dois primeiros jogos no mesmo estádio e cidade reduzem deslocamento e ruído externo. Isso ajuda a preparar plano de jogo e rotinas, especialmente para uma seleção que parece crescer com organização e repetição de comportamentos. A mudança para Toronto na última rodada traz uma troca de cenário — nada dramático — mas muda o ambiente e pode mudar o tipo de partida, dependendo de como a tabela do grupo chegar.
A tabela abaixo organiza os três jogos do Senegal no grupo, com data, estádio, cidade e o adversário descrito de forma completa quando for “por definirse”.
| Data | Estádio | Cidade | Rival |
|---|---|---|---|
| 16 de junho de 2026 | MetLife Stadium | Nova York / Nova Jersey | França |
| 22 de junho de 2026 | MetLife Stadium | Nova York / Nova Jersey | Noruega |
| 26 de junho de 2026 | BMO Field | Toronto | Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave B: Bolivia, Surinam o Irak. |
Jogo 1: França. A estreia costuma ser o lugar onde a Copa tenta te engolir com pressa. Para o Senegal, a boa notícia é que a campanha de eliminatórias mostrou um time que não se assusta com contexto: fora de casa, fez 0:0 quando precisou e venceu jogo grande por 3:2 quando o ambiente foi hostil. O plano provável, olhando apenas os dados do Senegal, é começar com prioridade total ao “não oferecer”: manter o jogo vivo, evitar sofrer cedo, e procurar os momentos em que o adversário se expõe. Prognóstico prudente: empate.
Jogo 2: Noruega. Segunda rodada é sempre uma prova de maturidade emocional, porque o grupo já ganha cara. Se o Senegal vier de um jogo de alta exigência contra a França, a capacidade de repetir disciplina será central. Pelos números das eliminatórias, o Senegal tende a se sentir bem em partidas de controle e placar curto — e isso sugere um jogo de margem pequena. Prognóstico: empate.
Jogo 3: Rival por definirse, saldrá del repechaje internacional Llave B: Bolivia, Surinam o Irak. Última rodada tem um peso especial porque, muitas vezes, é onde se resolve com nervo. Aqui a recomendação não muda: o Senegal precisa entrar para impor condições, evitar ansiedade e jogar com a seriedade que mostrou em partidas como o 1:0 fora na Mauritânia e o 2:0 sobre o Sudão. Sem classificar o rival “por definirse”, o foco é interno: fazer o jogo certo e não conceder o primeiro erro. Prognóstico: ganha Senegal.
Uma leitura de grupo que respeita o que os dados permitem dizer: o Senegal chega com a melhor ferramenta possível para Copas — uma defesa que raramente se rompe — e com capacidade de ampliar placares quando encontra espaços. Isso sugere que o time pode sobreviver aos jogos grandes e, ao mesmo tempo, fazer saldo quando a partida pedir. O risco está no detalhe: um gol tomado tarde, como aconteceu contra a República Democrática do Congo em 6 de junho de 2024, muda totalmente uma conta de grupo.
Claves de classificação do Senegal no Grupo I
- Transformar a solidez defensiva em pontos: jogos “de um gol” precisam virar vitórias ou empates úteis.
- Evitar gols sofridos no fim: o exemplo do 1:1 com gol aos 85’ é alerta de gestão de minutos finais.
- Buscar diversidade ofensiva: quando vários nomes aparecem, o time não fica previsível.
- Crescer fora do roteiro: se o jogo abrir, lembrar do 3:2 em Kinshasa como referência de reação.
- Tratar a terceira rodada como decisão, independentemente da tabela: entrar para impor, não para esperar.
Opinião editorial
O Senegal chega ao Mundial com uma credencial que não se compra: a sensação de que o adversário precisa fazer quase tudo perfeito para ganhar. Três gols sofridos em dez jogos não é um número bonito; é um modo de existir. E, em Copa, existir já é metade do trabalho. O resto é escolher com inteligência quando morder, porque nem todo jogo permite a mesma fome.
A tentação, para uma seleção tão sólida, é acreditar que a solidez basta. Não basta. A Copa gosta de um detalhe: uma bola parada, um erro de saída, um minuto final mal defendido. O gol aos 85’ sofrido contra a República Democrática do Congo em 6 de junho de 2024 é o lembrete mais claro de todos: quando o jogo parece controlado, é justamente aí que se mede grandeza. Se o Senegal transformar esse tipo de cicatriz em vacina, os Leões da Teranga não vão apenas participar do grupo — vão disputar o grupo.
No fim, a campanha das eliminatórias deixa uma assinatura inequívoca: um time que não se entrega e que, quando encontra o ponto fraco, não pede licença. A Copa, porém, é um outro tipo de tribunal. E o Senegal já mostrou, no 3:2 em Kinshasa em 9 de setembro de 2025, que sabe passar por um julgamento barulhento sem perder a letra. O desafio agora é repetir isso quando o peso da camisa do outro lado também for enorme — sem perder o que o trouxe até aqui: concentração, frieza e a coragem de jogar cada minuto como se fosse o minuto 90.